
Para melhor conhecer as dimensões e engrenagens de um texto teatral é preciso lê-lo. Uma tradução ou uma encenação já seriam uma leitura no sentido semiológico e, portanto, uma interpretação sobre esse mesmo texto, que ao atribuir-lhe sentidos sublinha dimensões endógenas e exógenas ao próprio texto.
Ao longo da história do teatro, não houve maneira mais eficiente para gente de teatro de tomar contato com um novo texto do que com o procedimento da leitura em voz alta e sua respectiva escuta por uma audiência, restrita ou numerosa, mas sempre curiosa sobre o conteúdo e as novidades formais desta narrativa.
A prática da leitura é um trabalho de intelecção, de reconhecimento do texto, na sua textualidade e na sua narratividade (na linearidade da intriga e enredo e na sua verticalidade de valores, temas, ideologias…). Ao mesmo tempo, para a gente de teatro a leitura de mesa serve como estudo preliminar do trabalho teatral para os agentes criativos, uma primeira porta de entrada no acesso à narrativa textual.
O hábito da leitura de poemas, atos de peças ou episódios de romances em voz alta remonta à noite dos tempos, não vamos fazer aqui seu inventário completo. Entretanto, no caso da cultura teatral europeia há farta produção iconográfica, sobretudo dos séculos XVIII e XIX em diante que nos exibem (apesar de mais ou menos idealizadas) cenas onde autores dramáticos eram recebidos em importantes salões da aristocracia ou da burguesia para lerem uma parte ou a íntegra de suas novidades textuais. Esses autores eram uma espécie de atração no jogo de sociabilidade comandado pelo anfitrião ou anfitriã do salão. O autor convidado ao salão tinha a oportunidade de perceber as primeiras reações dessa seleta audiência sobre suas narrativas. Outros quadros nos apresentam autores lendo seus textos teatrais para um comité de leitura ou para uma trupe de atores, por exemplo. A variedade é grande.
No séculos XX e XXI ,a fotografia eternizou diversas companhias públicas ou privadas no seu trabalho de leitura de mesa como etapa preliminar para a encenação.
Advém daí o interesse do Portal da Tradução Teatral exercitar a leitura de textos teatrais acompanhadas de comentários sobre as propriedades desses mesmos textos. Venha participar dessa experiência conosco.
Recomendação de leitura:
Ricardo KOSOVSKI. A mesa para a cena? Olhares, v. 1, n. 1, p. 62–65, 8 jul.2015.
https://www.olharesceliahelena.com.br/olhares/pt_BR/article/view/10

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