O Dramaturgismo como zona de percursos entre texto e cena na tradução teatral

Defesa de mestrado online de Raquel Cirne: um estudo teórico-prático sobre monólogos de Cheryl Barrett

No dia 13 de março, Raquel Cirne defenderá sua dissertação de mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segue o link para participação online e o resumo da pesquisa:

Resumo: Traduzir o multifacetado texto teatral é um processo complexo que extrapola seus aspectos puramente literários, ao lidar com diversas questões interculturais e próprias da cena. Nesse sentido, a presente pesquisa estudou a tradução teatral sob a ótica dos Estudos Descritivos da Tradução e do enfoque da Prática como Pesquisa (PaR) de modo a localizá-la no Dramaturgismo, visando integrar o texto e seus contextos com fundamentação tradutória e teatral, acreditando que pensar o caminho das palavras do texto teatral de um idioma a outro implica pensar também o caminho das demais materialidades teatrais, sobretudo a voz e o corpo, de modo a poder estabelecer conexões com a cultura receptora. Assim, a tradução teatral é aqui abordada como um processo dinâmico cuja corporificação, mesmo sob forma de leitura dramática, presencial ou online, constitui-se como uma etapa desse processo, e não somente como o resultado. As reflexões de Patrice Pavis (2008), que advoga por uma tradução “mais teatral e menos textual”, de Joan Oleza (2002), que defende um “olhar mais teatral” e de José Wilker (Cruz, 2013), que almeja a “carpintaria teatral”, à qual se relacionou com a busca de Marion Boudieu (2019) pelo “tratamento dramatúrgico”, formam o eixo argumentativo desta pesquisa. Aprofundou-se a relevância dos percursos entre texto e cena visando aproximar conceitos e procedimentos da Tradução e Artes Cênicas e maior integração entre seus respectivos profissionais; bem como contribuir à visibilidade do Dramaturgismo, alicerçar o trabalho do tradutor-dramaturgista como componente criativo e identificar lineamentos para a tradução teatral a partir do entendimento da especificidade do texto teatral e do ambiente em que está inserido. Para tanto, desenvolveu-se um trabalho teórico-prático em seis etapas, realizadas entre setembro de 2024 a janeiro de 2026: 1) Tradução de três monólogos breves da dramaturga britânica Cheryl Barrett, 2) Entrevista com a dramaturga, 3) Entrevistas com as tradutoras Fátima Saadi, Dirce Amarante, Cláudia Cruz e Alinne Fernandes, 4) Nova tradução e análise de dois monólogos selecionados na edição de 2025 do curso ¡Actúa!, com a leitura dramática online de um deles, 5) Sessão cênica de leitura dramática dos monólogos pela atriz Suzi Martinez com direção de Hamilton Braga e Néstor Monasterio, na sala Alziro Azevedo do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, com público e 6) Reescrita dos textos incorporando as reflexões suscitadas. O processo buscou a aproximação entre a tradução destinada à publicação e a tradução destinada ao palco, trabalhando com as perspectivas das “margens de infidelidade”, de Umberto Eco (2008), “margens de indeterminação”, de Marco De Marinis (1995) e “margens de movimento”, propostas pela pesquisadora no presente estudo (2025). Evidenciou-se a importância da oralidade do texto teatral traduzido, do trabalho em um espaço cênico, da participação dos profissionais da cena nas decisões tradutórias e do caráter multidisciplinar de sua tradução, pensando-a como um constante equilíbrio entre o olhar literário e o olhar do teatro, destacando-se a presença ativa da tradutora-dramaturgista.

Desejamos uma boa defesa à Raquel!


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